A neurociência tem se mostrado uma poderosa aliada da educação, oferecendo novas perspectivas sobre como o cérebro aprende, processa informações e consolida o conhecimento. A área, chamada de neuro educação, busca combinar os avanços científicos com as práticas pedagógicas para criar estratégias de ensino mais eficazes e significativas. Ao compreender os mecanismos cerebrais, educadores podem adaptar suas abordagens para atender às necessidades individuais dos alunos.
A importância da neuroplasticidade
Um dos conceitos centrais que a neurociência trouxe para a educação é o da neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais ao longo da vida, em resposta a estímulos e experiências. Esse conhecimento mostra que o aprendizado não se limita à infância, mas é um processo contínuo e dinâmico. Ao saber disso, os professores podem:
- Incentivar atividades que estimulem diferentes sentidos e áreas cerebrais.
- Focar no engajamento e na interação, que são cruciais para otimizar o potencial de aprendizagem de cada estudante.
- Utilizar metodologias ativas que promovam a construção de novos conhecimentos de forma mais ativa e menos passiva.
Funções executivas e o aprendizado
Outro ponto fundamental é a relação entre as funções executivas e o sucesso acadêmico. Essas habilidades cognitivas de alto nível incluem memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva, que são essenciais para o planejamento, a organização e a resolução de problemas. A neurociência sugere que o desenvolvimento dessas funções é crucial para o desempenho escolar. Com essa informação, os educadores podem:
- Propor atividades que ajudem a fortalecer a atenção e a concentração dos alunos.
- Usar tarefas que exijam o gerenciamento de tempo e a definição de metas.
- Incentivar a autorregulação, ou seja, a capacidade dos alunos de monitorar e controlar suas emoções e motivação.
O papel das emoções no aprendizado
A neurociência também reforça a importância das emoções no processo de aprendizado. Vygotsky, pensador da psicologia, já apontava para a unidade entre afeto e cognição, e a neurociência confirmou que a motivação está associada a uma base afetiva. Alunos que se sentem seguros e motivados tendem a aprender de forma mais eficaz. Nesse contexto, os educadores podem:
- Criar um ambiente de aprendizado positivo e acolhedor.
- Usar a ludicidade e atividades dinâmicas para despertar o interesse dos alunos.
- Fazer uso do trabalho em grupo, estimulando a colaboração e a interação.
Estudos e pesquisas sobre o assunto
Para aprofundar-se no tema, diversos estudos e artigos científicos estão disponíveis para educadores e interessados:
- Insights from the Active Use of Neuroscience Findings in Educational Practice: Artigo que discute a relevância de se integrar a neurociência à educação. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-328X/14/8/639.
- Neuroscience in Education: A Bridge Too Far or One That Has Yet to Be Crossed?: Artigo da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA que aborda os desafios e as perspectivas da neurociência na educação. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9856849/.
- Neuroscience Concepts Changed Teachers’ Views on Learning and Teaching: Pesquisa publicada na Frontiers in Psychology que explora como conceitos da neurociência alteraram as perspectivas de professores sobre o aprendizado. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2021.685856/full.
- Portal da Indústria – Neurociência e Educação: Publicação do SESI que olha para o futuro da aprendizagem com base na neurociência. Disponível em: https://static.portaldaindustria.com.br/media/filer_public/22/e7/22e7b00d-9ff1-474a-bb53-fc8066864cca/neurociencia_e_educacao_pdf_interativo.pdf.
O futuro da neuroeducação
Embora a neurociência não ofereça uma “receita mágica”, ela pode iluminar e direcionar as práticas pedagógicas, ajudando a tomar decisões informadas e a criar ambientes de aprendizagem que estejam em sintonia com a forma como o cérebro humano funciona. A colaboração entre neurocientistas, psicólogos e educadores continuará a moldar a educação, contribuindo para um ensino mais adaptável, resiliente e eficaz para todos os estudantes.


