As emoções humanas formam a trilha sonora da nossa existência, variando de melodias suaves de contentamento a dissonâncias complexas de preocupação. Entre estas, a ansiedade destaca-se como uma das mais prevalentes na sociedade moderna, atuando como um catalisador do imediatismo e uma sombra constante sobre o nosso bem-estar.
Podemos pensar na ansiedade como um relógio interno quebrado, cujos ponteiros giram incessantemente para o “agora” e para o “próximo”, mas nunca se fixam no presente. Ela cria uma urgência artificial, uma sensação de que cada momento deve ser preenchido, cada tarefa concluída instantaneamente, e cada futuro potencializado no exato segundo atual. Esse estado de alerta constante nos empurra para a armadilha da aceleração.
A pressa que a ansiedade gera é uma ilusão de produtividade. Estamos sempre correndo, mas raramente chegamos a um destino de tranquilidade. O estresse torna-se o estado padrão, e a mente, um campo de batalha onde pensamentos acelerados sobre o que ainda precisa ser feito ofuscam a realidade do que está acontecendo agora.
O imediatismo alimenta a ansiedade numa espiral viciosa. Queremos respostas instantâneas, gratificação imediata e soluções rápidas para problemas complexos. Essa expectativa irreal nos deixa vulneráveis à frustração e ao esgotamento mental quando a vida, como costuma fazer, segue seu próprio ritmo, que é quase sempre mais lento que o nosso desejo.
Refletir sobre a ansiedade e o imediatismo é reconhecer que a saúde mental depende de encontrarmos o equilíbrio. É a busca por desacelerar, por permitir que o presente seja vivido em sua totalidade, sem a pressão constante de já estar no futuro. A paz de espírito não está na velocidade, mas na conexão consciente com o momento presente.


